sexta-feira, fevereiro 24, 2017

Portos com mais de 40 anos: Coisas de outro mundo

Não é todos os dias que metemos na boca num vinho destes. São vinhos que pertencem a uma realidade, a uma dimensão extra-terrena, a outro mundo.


São vinhos que puxam por todos os sentidos, que desafiam todas as nossas terminações nervosas. É por aqui que temos uma breve ideia do que serão aqueles Portos Tawny superlativos, inatigíveis aos comuns dos mortais. Não, um Porto com mais 40 anos também não é um vinho acessível. Não é um vinho que se compre de ânimo leve, sem ter que olhar para os bolsos. 


Descrever um Porto com mais de 40 anos é obra de engenharia quase impossível. As suas variáveis são quase infinitivas. Tornam a obra custosa, muito dispendiosa. Acabamos por deixá-la apenas no papel, em forma de esboço. Em forma de processo de intenções. E é desta forma que vos deixo em paz durante alguns dias. A redacção do pasquim vai fechar momentaneamente, por motivo de descanso do pessoal. Suspirem de alívio e aproveitei a ausência.

quarta-feira, fevereiro 22, 2017

Maritávora: Felizes Reencontros

Existem períodos em que mandamos tudo às urtigas. Que se lixe, não quero saber. Actos de libertação completamente despreocupados. Momentos em que nos reencontramos connosco, em que voltamos a recuperar aquilo que fomos algures no tempo. Talvez, agora, mais maduros, mais tranquilos, mais livres no pensamento, nos actos. Do tipo não quero saber do que pensam. Tudo para as urtigas.


Tenho andado a recuperar, a restaurar, a recolocar algumas memórias no sítio certo. A distância tem ajudado a relegar para planos profundamente secundários todos aqueles momentos menos felizes, menos bons. Aqueles episódios que só trouxeram mágoas, que não deixavam ver o essencial. Que não deixavam ver o que importava, de facto. Cegava-se de fúria. 


Digamos que se está a encerrar aquele luto prolongado, a arrumar as roupas mais negras numa caixa. Um processo lento, moroso, complicado, tortuoso. Curiosamente, foram em redor destes vinhos que muita coisa começou a ser encerrada. Autênticos divãs de psicólogo. Vinhos que possuem uma dimensão e carácter enormes. Vinhos que nos colocaram num patamar equilíbrio assinalável. Reencontramos os lances mais felizes. Os que importam.

terça-feira, fevereiro 21, 2017

The End: Acabou a Época dos Prémios

Após a entrega dos Prémios de Excelência da Revista de Vinhos, que são ao fim ao cabo os que mexem mais com a malta, ficou encerrada a Época dos Prémios. Voltamos ao normal.
Desta vez, não vou comentar nada. Nem um niquinho. Nem isto e nem aquilo. Nem sequer vou lançar um suspiro ou qualquer interjeição. Não quero ser incómodo. Anda tudo felicíssimo, muito feliz, feliz, contentíssimo, muito contente, contente, satisfeitíssimo, muito satisfeito, satisfeito.


Parecia mal estar a desdizer ou a contradizer os mais diversos estados de espírito, que a malta já anda enjoada das minhas graçolas (e de mim).
Vá, um brinde a todos os que ganham sempre, aos que ganham quase sempre, aos que ganham esporadicamente, aos que se vêem aflitos para ganhar, aos que nunca ganharam, mas que festejam na mesma. Para o ano há mais, que agora é tempo de deixar os campos agrícolas em descanso. Pessoalmente, apenas quero bom vinho e não muito caro, se faz favor.

domingo, fevereiro 19, 2017

Opá, não estava à espera!

Assumo que não faz ou fazia parte do meu lote de escolhas. Não tenho qualquer problema em afirmar publicamente que preteria os espumantes deste produtor em detrimento de outros. Desculpem lá, mas era assim.


Devo dizer, no entanto, que fiquei bastante surpreendido com a porra deste vinho. Parecia que tinha um conjunto de cheiros e sabores positivamente inusitados, meio inesperados. Epá, não consigo explicar melhor.


Talvez estivesse à espera de algo mais arredondado, mais fácil, menos personalizado. Mais urbano, mais comum. Nada disso, apresentava um nível de complexidade bastante bom. Digamos que fiquei convencido, bem convencido e rendido. Opá, não estava à espera.

sábado, fevereiro 18, 2017

Malta, isto está bem esgalhado!

Malta, olhem que esta coisa está bem esgalhada. Bem curtida, que dá um prazer do caraças a ser bebida. Não é madurão, não é chato. Alegre, jovial, profundamente vegetal e com a dose certa de frescura. Quase nos faz pensar que também somos, ainda, jovens. Sim senhor.



Daqueles vinhos que vão com tudo e mais alguma coisa. Não é um alentejano típico, ufa, que nos adormece. Pelo contrário, diverte-nos. Um feliz regresso aos vinhos do Joaquim.

sexta-feira, fevereiro 17, 2017

Imagens que valem por mil palavras!

Nunca umas simples fotografias reproduziram tão bem uma região, uma terra, um local, uma ideia. Olha-se e percebe-se a mensagem. Ficaram presos pela lente a frescura, a limpidez, a pureza. A simplicidade. 



Aplica-se a máxima que uma imagem vale mais que mil palavras. São as minhas imagens, são as minhas palavras. Sei onde fica aquela terra, aquelas ervas. Quase que sinto o cheiro. E era só isto que tinha para resmungar hoje. Fiquem bem.

quinta-feira, fevereiro 16, 2017

Dão Nobre: Breve nota do Editor

Não é com satisfação que vou dizer o que vou dizer. Não é uma qualquer boca gratuita. O assunto andava a remoer-me o estômago e a úlcera não estava a aguentar. Ao contrário do que pode parecer, não sou cego, apesar de usar óculos, não sou obtuso, apesar de ser gordo, não sou yes man, apesar de gostar dos ingleses. E para mim não é tudo sumo, supra sumo ou essência de sumo. Seja aqui, além ou noutro qualquer lugar deste país. E que se desiludam aqueles que acham que o mal é só dos outros. Percebo que é muito mais seguro, projectarmos a imagem de um país que não existe. O País das Maravilhas.
Sobre os novíssimos Dão Nobre apraz dizer simplesmente que estava à espera de algo bem diferente. De algo desconcertante. De algo que me tirasse verdadeiramente do sério. De algo que valesse a pena apostar neles os valentes euros, não são poucos, que pedem. Que fossem, pelo menos, superlativos. Estonteantes. Que me deixassem sem palavras, sem adjectivos para usar.


Não entendo, também não tenho que entender, a quantidade de louvores que foram recebendo, como se fossem qualquer coisa irrepetível. São vinhos (muito) bons? Claro que são? Mas serão vinhos capazes de arrebatar uma pessoa? Aqui já tenho sérias dúvidas. Eu, assumo, fiquei meio desiludido. Fiquei até meio enfadado, a meia missa. Fiquei triste, pois estava à espera de mais. Expectativas a mais? Talvez, não sei.
E ao fechar a edição de hoje, aproveito para demonstrar alguma preocupação sobre o que a CVR do Dão  (não) anda ou (não) andará a fazer. Mas isso fica para outra oportunidade. O rei vai nu.

terça-feira, fevereiro 14, 2017

Quinta da Ponte Pedrinha: A simplicidade do Dão

Epá malta e quando pegamos num vinho simples e ficamos completamente arrebatados com ele? Estupidamente surpreendidos. Um vinho que nos sabe à terra, que nos transporta para o lugar onde ele é feito. Quase que reproduz tim por tim uma porrada de cantos e recantos. É obra.


Caramba, como foi possível ficar completamente rendido, sem resposta, sem reacção, mas profundamente contente? Estava fresco, profundamente fresco, limpo, apetitoso, bem balanceado. É Dão! É Dão, meus senhores.


Só é pena que aparentemente as coisas pareçam tomar um caminho algo diferente de outros tempos.  Mas é a vida. Outras cabeças, outras sentenças.

segunda-feira, fevereiro 13, 2017

Será assim tão difícil?

Sabem uma coisa? Chateia-me não podermos discordar, não podermos dizer que não é bem assim, que não concordamos. Que não gostamos, sem corrermos o risco de levarmos tau tau no rabo tal puto mal comportado
Sabem uma coisa? Chateia-me não podermos dizer abertamente epá discordo de ti sem ser gozado, sem ser olhado como um cromo, como um gajo que incomoda. Como um tipo que só diz mal. Epá, fico chateado. Não devia ser assim.
Sabem o que me chateia? Chateia-me haver só duas opções: concordar ou ficar calado. Fingir que tudo é bonito. Caramba é assim tão indelicado querer ir por outro lado? Será que ter uma opinião um pouco diferente, certa ou errada, é assim tão, vá lá, chato? 


Bolas malta, somos umas míseras migalhas no meio desta porra toda. Não contamos para nada. Não valemos nada. Nada. Somos apenas e nada mais que um conjunto de variáveis desprezíveis. Malta, por favor, vamos discordar livremente, falar sem vergonha, sem ter medo que nos olhem como aquele tipo que só diz mal. Sem que nos olhem como o doido, o sectário ou gajo que tem uma doença transmissível. Caramba, é assim tão difícil? 

domingo, fevereiro 12, 2017

Paixões: Casa da Passarella Vinhas Velhas

Falemos de assuntos sérios. Larguemos brincadeiras, piadas de circunstância. Farto de gente sem emoções, sem nervo, fria. É um vinho que continua a enamorar-me. Não importa quanto vale, não quero saber disso. Não quero saber de nada. Apenas interessa saber que é um vinho, já lá vão alguns anos, que me ajuda quando mais preciso. E hoje precisava disto. Precisava.


Na verdade estou em ressaca, por que me falta aquele ar lá de cima. Não estou com rodeios, nem com meias palavras. Aquilo lá para cima corre-me nas veias. Está-me no sangue. Faz parte do me mim. Sou eu. Preciso. Necessito.


E enquanto a garrafa vai esvaziando, neste preciso momento, parece que a ansiedade vai diminuindo, vai sendo dominada. Vai sendo enganada.


O vinho acabou. Não tenho mais. Viajei, relembrei uma porrada de momentos, passagens felizes e infelizes. E no meio de enormes saudades de tanta coisa e tanta gente, é chegada a hora de me aconchegar a um canto e fechar os olhos. As pálpebras estão pesadas. Vou adormecer.

sábado, fevereiro 11, 2017

Evel XXI

Noutro registo, numa lógica mais relaxante. Para descontrair. Um vinho branco que sobressaiu pelo equilíbrio que revelou, pela coerência que tinha, pelo balanceamento que apresentava em quase todos os aspectos. Afinado e fino.



É vinho branco que parece apostar essencialmente na elegância, na finesse, na graciosidade. Possui, digamos, um certo carácter aristocrático, altivo e profundamente distinto. Foi um vinho branco que gostei francamente. E sem mais rodeios, digamos que é um vinho branco de boa estirpe. Tenho dito.

quinta-feira, fevereiro 09, 2017

1992

Epá, a coisa que mais me chateia é não conseguir encontrar nada de relevante em mil novecentos e noventa e dois. Deve ter sido um ano desenxabido, sem sal ou então pelo outro lado, terá sido enviado para as calendas para nunca ser relembrado, por causa de alguma coisa menos digna. A porra é que não me lembro de nada. Parece que tenho um hiato e eles começam a ser muitos. Começa a ser uma vida com demasiados buracos negros. Ai, ai...



Sei que em mil novecentos e noventa e dois ainda era frequentador assíduo da Vinícola, essa enorme catedral da cerveja à beira rio, na margem sul. Tenho certeza. Também tenho a certeza do estado lastimoso em que saía de lá. Ah e ainda era estudante de Matemática Aplicada, tinha cabelo claro e barba ruiva. Mas e o resto? Pelo menos fica a imagem de um (muito) bom vinho do Porto vindo de mil novecentos e noventa e dois. O tal ano que quase não existe. Pelo menos isto.